18 May 2017

Boneca de Porcelana


Esta sessão é uma ilusão. O que começou por ser um conceito natural num ambiente orgânico, acabou por se revelar num estilo de fotografia em que eu não acredito. Se olhares para a de cima, o que encontras? Nada. É essa a resposta. A minha pele está perfeita, sem os meus sinais no nariz nem as minhas sardas imperfeitas. Sem pêlos nem rugas de expressão.


Então e nesta? Se me conheces pessoalmente sabes que o meu nariz não é assim tão perfeito. Aliás, levou-me uns anos a aceitar o meu alto na cana do nariz. Mas, aqui, parece que fiz uma rinoplastia e tenho o nariz que sempre desejei (secretamente) ter.


Cada vez mais acredito na beleza natural e nas imperfeições. Custa aceitar-nos a nós próprios quando somos rodeados por conceitos de beleza falsa e superficial de pernas alisadas sem uma marca de celulite ou narizes bem construídos ou mamas redondas e perfeitas com um estômago de aço. Mas mesmo com esses estigmas de beleza distorcida desta sociedade exigente e crítica, há esperança quando existem modelos de pessoas que quebram as barreiras e mostram-se orgulhosos por quem e como são. Há mulheres que mostram as suas curvas e orgulham-se da sua figura não convencional (ou seja, não anorética de modelos de passadeiras), mulheres que mostram as suas estrias como marcas de guerra quer após um parto ou apenas de crescimento e celulite idem (agora até criaram autocolantes de celulites para se colocarem em bonecas).


Sinto-me hipócrita com o discurso de que devemos aceitar as nossas imperfeições e depois mostrar-vos estas fotografias modificadas no Photoshop. Mas a verdade é que o resultado da sessão serviu como lição, não só para mim como para vocês. É sempre diferente vermos como poderíamos ser numa alternativa utópica e perfeita, e foi isso o que a Thamires me mostrou. A Thamires é uma fotógrafa profissional que trabalha com books para modelos. Nesses books (portefólios que as modelos apresentam às agências) é preciso estar no melhor. Daí as suas edições serem mais carregadas para atingir aquela perfeição de revista.

A Thamires foi impecável, sempre sorridente, sempre a dar dicas de como usar as minhas melhores feições e de, ao mesmo tempo, descontrair e divertir.

E por isso não quero estar a criticar o seu trabalho, apenas mostrar como não estou habituada a ver-me tão trabalhada como uma boneca de porcelana e que, por vezes, uma sarda aqui ou ali dá um aspecto mais natural.

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