11 June 2015

Take me to Peru...



"Primeiro que tudo, gostava de avisar que este restaurante, com um conceito tão pouco praticado em Lisboa, é virado para as pessoas que têm uma mente aberta e que estão dispostas a experimentar algo completamente novo e inovador. Eu pensava ser uma dessas pessoas...



Comecemos do início. Uma hora e um quarto à espera. Já ia preparada para tal, tendo lido algumas reviews. Mas a espera foi um pouco desesperante, pois por sermos 4 pessoas, todos os casais e grupos de 3 tinham prioridade de lugar, ou seja, pessoas que chegavam mais tarde do que nós conseguiam uma mesa ao balcão (que pelos vistos são os melhores lugares - por se poder interagir com os chefs e ver a execução dos pratos) e nós que precisavamos de 2 mesas, ficávamos ali plantados à seca.


Claro que com as mesas cá de fora, pudemos trincar o dente numa iguaria peruana - milho seco com sal - com uma bebida fresca. Mas a bebida não durou toda a espera...

Continuando. Conseguida a mesa, começámos por pedir os pratos principais, que vieram prontamente. Adorei o requinte da apresentação do prato e a atenção ao pormenor de cada ingrediente. Adorei o facto de serem porções pequenas, não só para não nos enfardar e enjoar mas como também para, de certo modo, nos "obrigar" a sentir cada elemento em cada garfada que compunha o prato. Claro que para um português tradicional poderá sair do restaurante com fome devido a estas porções reduzidas.

Melhor prato: Ceviche de bacalhau numa cama de puré de grão (€10,80). Por incrível que pareça, esta fusão entre o ceviche e o nosso prato de bacalhau com grão resultou na perfeição! Um prato leve e bem condimentado.

Prato que começou muito bem mas que caiu em enjoo: Quinoa de polvo com presunto de pata negra (€12,80). A primeira garfada foi como uma explosão de sabores na boca. A textura da quinoa com o polvo era mágica. Mas as últimas garfadas enfatizavam o condimento e tornou-se um pouco demais. Um outro prato que também senti que teve um ótimo início mas um fim enjoativo foi o ceviche de salmão com molho de manga e hortelã (€9,80). No início foi delicioso poder-se sentir a frescura do sumo de limão que marinou o salmão em conjunto com a hortelã. Mas devido ao facto de serem bocados grandes de salmão, a gordura deste peixe tomou conta do prato, sendo quase impossível de o acabar sem ser em enjoo.

Prato que surpreendeu: Gaspacho de Gamba do Algarve com tapioca e ovas (€6,70). Realmente um aspeto surpreendente e um sabor subtil.

Combinação mais estranha: as entradas (€2,50). Um pão de milho com manteiga de tinta de choco e uma espécie de molho com tomate. A manteiga era bastante esquisita, o que as minhas papilas gustativas esperavam - um sabor a manteiga -, foi completamente posto de parte para um sabor a peixe dominar, o que não apreciei nada. Mas depende dos gostos de cada pessoa, o meu irmão adorou.

Pedimos ainda a Causa de Lavagante com mousse de abacate, um paozinho com tinta de choco e puré de batata (€14,60) que tinha um belíssimo aspeto mas o sabor não correspondeu muito à expetativa.

Overall, foi uma experiência bastante única, não só por termos tido a oportunidade de experimentarmos algo do outro lado do mundo, como também por ter sido suficiente essa ida. Apesar do espaço pequeno, percebo a estratégia de querer tornar o restaurante quase inacessível e daí muito desejado. A escolha da música foi algo de irritante, pois, primeiro, acho que música pop/rock não fazem bem o género deste restaurante latino de requinte e, segundo, era mais um factor de poluição sonora adicionada ao burburinho que 25 pessoas sentadas faziam. Daí não ter sido completamente agradável o facto de ter de elevar o tom de voz para se poder falar e ser ouvido.

Pass wifi: comeromundo
não aceita reserva, se quer ir lá jantar apareça pelas 19h para arranjar mesa."

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